Som e Saúde


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Meditação não é o que você pensa…

Pare de pensar tanto!
Viva um momento de cada vez. Melhore sua saúde. Conheça a si mesmo. Isso também é meditação. Agora veja como praticá-la no dia-a-dia.

Por: Yuri Vasconcelos

Quando se fala em meditação, a gente logo pensa em alguém sentado de pernas cruzadas sobre uma almofada no chão, com a coluna ereta, as mãos apoiadas sobre os joelhos, os olhos cerrados, a boca levemente aberta e um silêncio sepulcral dominando o ambiente. De fato, essa é uma maneira clássica de meditar, mas não a única. Existem várias técnicas para mergulhar nesse estado de introspeção. Dá para meditar de olhos abertos, ouvindo música, andando ou durante tarefas cotidianas como passar a roupa, cozinhar e tomar banho. Sim, porque meditação não é uma ação, e sim um estado de espírito. “Meditação é a qualidade de estar consciente e alerta. O que quer que você faça com consciência é meditação. A ação não é a questão, mas a qualidade que você traz para a ação”, afirma em um de seus livros o líder espiritual indiano Mohan Chandra Rajneesh, também chamado de Osho, que morreu em 1990. Ou seja, o que importa é estar focado naquilo que se está fazendo. “Para colher os benefícios da meditação, não precisamos nos isolar do mundo, mas, pelo contrário, incorporar a prática meditativa ao nosso cotidiano”, diz o médico Jou Eel Jia, presidente da Sociedade Brasileira de Meditação Médica.

O segredo está em prestar atenção em cada momento do presente. Parece simples, e é. Mas exige uma mudança de postura perante a vida. Uma mudança sutil, porém fundamental. Afinal, fomos ensinados que, para resolver os problemas cotidianos, é preciso pensar e se preocupar com eles. O resultado disso é que passamos a maior parte do dia, senão o dia todo, com a atenção dispersa no passado (o desentendimento com a colega de trabalho, a seção de ginástica perdida) ou no futuro (o projeto que precisa ser entregue amanhã, a viagem do próximo feriado). Pouco a pouco, esses pensamentos recorrentes vão acumulando uma carga nociva de angústia pelo que aconteceu e ansiedade pelo que vai acontecer.

Meditar é adotar a atitude contrária. É concentrar-se no presente, tornar conscientes os gestos automáticos mais banais. Ao tomar banho, por exemplo, atente para o que está fazendo em vez de lavar-se automaticamente enquanto pensa na lista de compras do supermercado. Note o cheiro do sabonete, a temperatura e o som da água. Quando for se sentar, no trabalho ou à mesa de jantar, preste atenção na postura, na posição de suas pernas e na sensação na coluna. Na fila do elevador, note como estão dispostos os ombros, o abdômen e os pés. Deixe para se aborrecer com o serviço atrasado quando chegar a sua mesa de trabalho. Em outras palavras, a recomendação dos mestres da meditação se parece com um bom conselho, daqueles que só uma avozinha querida seria capaz de dar: “Pare de pensar e de se preocupar e viva um momento de cada vez”. Reconfortante, não?

Corpo, mente e espírito

A idéia é essa: confortar, acalmar a mente e trazer paz ao espírito. Resumindo: aumentar o bem-estar. “Ao meditar, a pessoa cultiva estados da mente que levam à paz e ao bem-estar”, diz Ken O’Donnell, coordenador para a América Latina da Brahma Kumaris, universidade espiritual de origem indiana que hoje tem mais de 4 mil centros no mundo. Mas não é só isso. Os especialistas dizem que, ao meditar, é possível experimentar uma sensação de unidade com o cosmo que é nossa verdadeira essência, nosso ser real. “As pessoas meditam, fundamentalmente, por três razões: conhecer a si mesmas, ampliar a percepção da realidade e viver no espaço do sagrado e atingir uma comunhão com o divino”, diz Lia Diskin, da Associação Palas Athena, de São Paulo, que organiza cursos de meditação.Essas promessas já seriam suficientes para fechar os olhos e entoar um mantra, mas ainda tem mais. Meditar faz bem à saúde, dizem os mais respeitados cientistas e médicos dos melhores centros de estudos do mundo. Eles ainda não sabem por quê, mas a lista de benefícios comprovados não pára de crescer (leia quadro na página ao lado).

Não é de espantar, portanto, que haja tanta gente meditando. Só nos Estados Unidos, pelo menos 10 milhões de pessoas meditam regularmente, o dobro de uma década atrás. Lá, a prática está sendo incorporada ao cotidiano em escolas, empresas, hospitais, repartições públicas e escritórios de advocacia. Nas penitenciárias americanas, a meditação é usada para recuperar os detentos e tem conseguido evitar que muitos voltem ao crime depois de libertados (como há tempo de sobra, as sessões duram horas). No Brasil, não existem estatísticas que apontem quantos são os praticantes, mas acredita-se que o número cresce ano a ano.

Toda hora é hora

Mas em que momentos do dia-a-dia é possível meditar? Em tese, todos. Na verdade, os grandes gurus meditam ininterruptamente, ou seja, passam todos os momentos atentos ao presente, a cada momento. Para a maior parte das pessoas, porém, que não atingiu esse estado de atenção, convém exercitar a concentração. Veja a seguir algumas dicas de como aproveitar o cotidiano para treinar. Antes de mais nada, um lembrete importante: reserve um tempo para cada atividade. É impossível concentrar-se em uma ação se você ficar pensando que já está na hora de fazer a próxima.Os vários minutos gastos no trânsito, por exemplo, podem ser aproveitados para meditar, segundo o médico acupunturista Jou Eel Jia. “Observe sua respiração ou entoe um mantra (não se assuste com o nome. Mantra pode ser qualquer som que ajude a concentrar). Isso vai ajudar a enfrentar os congestionamentos e trará um grande bem-estar físico e emocional.” Segundo Jou, não tem perigo de bater o carro.

E por que não meditar caminhando? A terapeuta holística Veena Mukti diz que é possível fazer isso no caminho para o mercado ou na academia. “Quando estiver correndo ou caminhando na esteira, por exemplo, desligue-se da televisão que está ali na frente. Fixe o olhar em um ponto qualquer à sua frente e sinta a sua respiração. Ao mesmo tempo, observe cada movimento do seu corpo. Concentre-se no movimento de seus braços, de suas pernas, do seu pé. Tente manter a mente livre dos pensamentos e, quando eles vierem, simplesmente volte sua atenção à atividade que está fazendo”, diz ela.

Também é possível meditar enquanto andamos no parque, no caminho para a padaria ou subindo e descendo escadas. O monge budista Thich Nhât Hanh, autor do livro Meditação Andando (Editora Vozes), criou uma técnica baseada na observação da respiração e das passadas. “Ao caminhar, mantenha um leve sorriso nos lábios e pratique a respiração consciente contando os passos”, diz ele. “Observe cada respiração e o número de passos que dá ao inspirar e ao expirar. Se der três passos durante uma inspiração, diga baixinho ‘um, dois, três’, ou ‘dentro, dentro, dentro’, uma palavra a cada passo. Se der três passos enquanto expira, diga ‘fora, fora, fora’ a cada passo.” Segundo o religioso, “quando estamos conscientes, intensamente em contato com o momento atual, aprofunda-se nossa compreensão do que está acontecendo e começamos a ser preenchidos de aceitação, alegria, paz e amor”.

Hora de comer também pode ser hora de meditar. No almoço ou na janta, há muita coisa para reter a atenção. Aos poucos, você vai notar que cada alimento tem sabor, aroma, textura e temperatura próprios. Preste atenção na mastigação, na distribuição dos alimentos no prato, sua postura à mesa, sua respiração. Acabou a refeição? Medite na pia, ao lavar a louça. Observe o formato, as cores, a textura e o peso do prato. Fique atento ao movimento que você faz ao pegá-lo e sinta a temperatura da água e a textura da esponja e da espuma. Ouça o som da água saindo da torneira e o barulho da própria louça na pia. Sinta o aroma do detergente e observe sua respiração.

Terminou? Tudo limpinho no escorredor? Não disperse. Mantenha a sintonia também ao enxugar a louça, guardar os pratos, arrumar o guarda-roupa, pentear os cabelos, vestir-se e ao longo do dia todo. Isso é meditar. Com a prática, a cada dia dá menos trabalho conectar-se ao presente.

Idas e vindas

Mas, se você já tentou parar de pensar e concentrar-se totalmente no que faz, deve ter percebido que isso não é nada fácil. O problema é que a mente divaga com muita facilidade e logo está lá você pensando no telefonema que precisa fazer ou na reunião de amanhã. Isso é normal. “Nossa mente é um turbilhão de pensamentos. A grande dificuldade para conseguirmos meditar é conter a divagação. A toda hora nossos pensamentos nos levam para lugares aonde nem sempre queremos ir”, diz a terapeuta holística Veena Mukti, coordenadora do Avathar Instituto de Formação Holística, de São Paulo. Apaziguar a mente, então, seria o primeiro passo para poder mergulhar no estado meditativo de que nos fala o mestre indiano Osho. E como fazer isso? “Aceitando e abraçando o fluxo de pensamentos como se eles fossem a cena de um filme. Os pensamentos surgem, acontecem e passam”, afirma a professora de yoga Márcia De Luca, fundadora do Centro Integrado de Yoga, Meditação e Ayurveda (Ciyma), de São Paulo. “Não devemos lutar contra eles, pois agindo dessa forma nós lhes damos personalidade e os fortalecemos”, diz ela. “Quando a mente se dispersar, diga que agora não e continue com o seu propósito”, ensina Lia Diskin.

Técnicas

Muito bem. Então é possível meditar durante as tarefas cotidianas, sem interromper a rotina diária. Ótimo. Mas acredite: sua concentração vai melhorar muito se você dedicar um tempinho do seu dia, ainda que mínimo, só para exercitar a atenção. Além do que, quem nunca meditou de uma maneira mais convencional, quer dizer, em um lugar tranqüilo, com os olhos fechados e concentrado na respiração, provavelmente terá dificuldades para manter a atenção focada nas tarefas do dia-a-dia, em meio a tantas distrações. Por isso, os estudiosos do assunto recomendam e praticam, eles mesmos, algumas técnicas de meditação que não precisam tomar muito tempo.

“A meditação rotineira é possível, mas antes é preciso conhecer um repertório de práticas ou técnicas que robusteçam nossa capacidade de atenção, de estar presente e de criar e manter um foco”, afirma Lia Diskin, da Associação Palas Athena. “Toda a questão da meditação está na capacidade de criar um foco, seja ele um mantra, a respiração ou a própria observação das sensações. Para manter e criar uma força contínua nesse foco é preciso ter o que eu chamo de ‘musculatura interna’.”

É como andar de bicicleta: no início, levamos vários tombos, mas, depois que aprendemos a pedalar, é para o resto da vida. “Quando se está começando, o indivíduo precisa ter um pouco de persistência, pois tem que superar uma grande inércia”, afirma O’Donnel. E para sair da inércia o primeiro passo é escolher o estilo de meditação que mais combina com você. As opções são muitas. Um dos mais utilizados é a meditação durante a respiração, em que a pessoa deve sentar-se com as pernas cruzadas, ficar atenta ao fluxo de ar que entra e sai de seus pulmões e, sempre que se distrair com algo, retornar a atenção a ela. Mas e se a perna doer? Adote uma posição mais confortável, diz o Dalai Lama em O Caminho da Felicidade - Um Guia Prático para os Estágios de Meditação. Mas ele insiste em que no início de cada prática, nem que seja em respeito à tradição, deve-se cruzar as pernas.

Outra técnica bastante utilizada é repetir um mantra, que tem a função de reduzir o fluxo de pensamentos. O cardiologista americano Herbert Benson, professor da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, um dos maiores pesquisadores da meditação e do poder das crenças na promoção da saúde, criou uma forma de meditar baseada na palavra one (”um” em inglês). O som lembra o mantra “ohm”, considerado o som primordial do Universo, pelo hinduísmo. Outra técnica parecida, desenvolvida pelo líder espiritual Deepak Chopra, baseia-se na repetição do que ele chama de som primordial individual, que é escolhido a partir da hora, local e data de nascimento da pessoa. Ele ensina que a repetição desse som nos transporta para o campo da pura potencialidade de que nos fala Márcia De Luca, sua discípula e representante aqui no Brasil.

Pode-se ainda acalmar o fluxo de pensamentos mentalizando uma cor ou imagem - o rosto de Cristo, por exemplo - ou fixando o olhar em um objeto, como a chama de uma vela. Uma das meditações mais populares no Ocidente foi criada em 1957 pelo indiano Maharishi Mahesh Yogi, que a chamou de meditação transcendental. O iniciado deve praticá-la sentado confortavelmente e de olhos fechados. Cada pessoa recebe um som pessoal que deve ser entoado durante a sessão.

A raja yoga, por sua vez, um tipo de meditação milenar derivada do hinduísmo, não usa mantras nem técnicas associadas à respiração. Sentado da forma que desejar e de olhos abertos, o praticante deve fixar sua atenção em qualidades positivas do ser, como bondade, generosidade, compaixão, e assim gerar um estado mental elevado.

Existem também técnicas de meditação ativa, onde não é preciso ficar com o corpo parado. O líder espiritual Osho criou várias formas de meditação em movimento, misturando aspectos do hinduísmo, da tradição sufi e da bioenergética. Suas aulas parecem sessões de laboratório de teatro e utilizam música, dança e respiração. O objetivo é relaxar os músculos e manter a mente concentrada, longe dos pensamentos.

No fim das contas, não importa a técnica usada, contanto que ela ajude a pessoa a apaziguar a mente e manter-se focada. Os grandes mestres afirmam que para colher os benefícios da meditação o ideal é praticá-la duas vezes por dia, em sessões de 20 a 30 minutos. Para quem está começando, pode ser uma tarefa difícil. “Muitas pessoas não têm disciplina para isso e acabam desistindo. Por isso, aconselho que, depois de escolher a técnica que mais lhe agrada, comece com cinco minutos diários”, afirma Márcia De Luca, do Ciyma. “Aguarde um mês para que os efeitos dessa prática fiquem gravados na sua memória celular e gerem o desejo de meditar, criando assim o hábito. Os efeitos da meditação são tão prazerosos que os cinco minutos serão insuficientes e o tempo irá se alongando gradativa e espontaneamente.”

Outra dica para quem começa é participar, ao menos uma vez por semana, de um grupo de meditação. Além de ser um parâmetro para avaliar sua própria evolução, o grupo ajuda porque dá suporte energético para a pessoa ficar mais presente e centrada.

E como saber se a meditação funcionou? É fácil. Se, ao final dela, você for invadido por uma sensação de bem-estar, plenitude e apaziguamento, pode estar certo de que você meditou. A terapeuta holística Veena Mukti, no entanto, faz uma ressalva: “Quando se começa a meditar, a sensação pode não ser tão agradável. A pessoa começa a perceber que sua mente é um turbilhão de pensamentos e que seu corpo tem diversos pontos de tensão que antes não eram percebidos”, diz ela. Com o passar do tempo, no entanto, a dispersão mental e os pensamentos banais naturalmente desaparecem. A mente vai serenando e o corpo já não dói tanto. As primeiras sensações de bem-estar começam a aparecer. E você, enfim, começa a colher todos os benefícios dessa prática milenar.

Mente sã, corpo são

. Meditar ajuda na liberação de endorfina, um forte tranqüilizante que provoca a sensação de alegria e de bem-estar. . Diminui a produção de adrenalina e cortisol, hormônios secretados em situações de estresse, e de radicais livres, substâncias que atuam no envelhecimento humano.

. Quem medita tem auto-estima mais elevada, maior poder de concentração, mais facilidade para aprender coisas novas e maior poder de raciocínio. Isso porque o fluxo sanguíneo aumenta na região do cérebro que comanda essas funções.

. Meditadores também são mais tolerantes, estão mais preparados para lidar com situações difíceis e conseguem se relacionar melhor com os outros.

. Por fim, meditar fortalece o sistema imunológico, que fica mais resistente a doenças psicossomáticas, como gastrite e enxaqueca, e a doenças autoimunes, como esclerose múltipla e artrite reumatóide.

Escolha sua linha

Meditação na RespiraçãoÉ uma das mais comuns e simples. Sentado de pernas cruzadas num lugar tranqüilo, feche os olhos e fixe a atenção no fluxo de ar que entra e sai de seus pulmões.

Meditação no Som Primordial

Criada pelo mestre espiritual Deepak Chopra, consiste na repetição de um som, chamado primordial, que está relacionado com a hora, a data e o lugar em que você nasceu.

Meditação Zen-Budista

Uma das técnicas dessa corrente do budismo é a meditação andando do monge Thich Nhât Hanh. Ao caminhar, conte os passos e sincronize-os com a respiração.

Meditação Raja Yoga

Sentado numa posição confortável e de olhos abertos, mentalize aspectos positivos da natureza humana, como os sentimentos de bondade, generosidade, compaixão e amor.

Meditação Transcendental

Formulada pelo indiano Maharishi Mahesh Yogi, não requer concentração ou contemplação. É baseada na repetição de um som pessoal só conhecido pelo iniciado.

Meditação Cristã

Resgatada pelo monge beneditino inglês John Main (1926-1982), está baseada na repetição de um mantra. O mais usado é o “Maranatha”, (em aramaico, “Vem, Senhor”).

Meditação Dinâmica

Foi criada pelo líder espiritual Mohan Chandra Rajneesh, o Osho, especialmente para os ocidentais. Mescla elementos de várias culturas e usa dança, som e movimentos.

Meditação Self

Tem como base os ensinamentos do iogue Paramahansa Yogananda e objetiva disseminar técnicas que levem seus praticantes a atingir a experiência pessoal e direta com Deus.

No início, havia Deus

Embora pareça que a meditação só tenha entrado em moda no Ocidente nos últimos anos, ela já é praticada nesta metade do mundo há muitos séculos, embora travestida de fé religiosa. Criada no Oriente, a meditação já era praticada na Índia há cerca de 5 mil anos e é descrita nos primeiros textos sagrados do hinduísmo. Tempos depois, irradiou-se para a China, o Japão e outros países orientais - não se pode esquecer que foi meditando debaixo de uma figueira que o príncipe Sidarta Gautama alcançou a iluminação, por volta de 590 a.C., tornando-se o Buda. A partir do século 3 de nossa era, a meditação foi assimilada por monges cristãos que viviam no Egito e na Síria, conhecidos como “Padres do Deserto”. Eles acreditavam que, meditando, aproximavam-se de Deus. Os muçulmanos também renderam-se à meditação, notadamente os integrantes da seita sufi, que a incorporaram aos seus cultos por volta do ano 1000. Rezar, portanto, é uma maneira de meditar, só que com cunho religioso.

Os benefícios à saúde, é verdade, só foram descobertos nos últimos anos pela medicina ocidental, que desde então vem fazendo pesquisas para entender como o estado de meditação afeta o corpo.

Para começar já

1. Encontre um lugar tranqüilo. Um quarto em casa está bom. 2. Sente-se numa postura confortável (não precisa ser com pernas cruzadas) e feche os olhos.

3. Respire profundamente e concentre-se na entrada e saída do ar. Um mantra, como o clássico “ohmmmmmm”, ajuda a concentrar.

4. Se o pensamento divagar, não se recrimine: apenas volte a atenção à respiração ou ao mantra.

Yuri Vasconcelos

Fonte: http://www.vadiando.com/textos/archives/000764.html


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Por: Carlos Eduardo Silva Coimbra

Sabemos que o Universo na sua manifestação vital, nada mais é do que a representação concreta de certos princípios que pertencem a um domínio tão elevado, que nós, para nos referirmos a eles, costumamos falar apenas, na consciência divina. É nesta consciência total que se encontram todos os germes destas possibilidades que depois se transformam nas coisas viventes, com nome e forma, do universo que nos cerca e envolve. Posto isto, sabemos ainda que esses germes, estas possibilidades, manifestam-se por meio do Som. Esta consciência divina, esta consciência total, que o mais comum dos humanos seres a chama de Deus, expressa o seu poder criador por meio de vibrações sonoras.

Todas as tradições mencionam os sons sagrados, os sons que construíram algo, algo que vem de cima para baixo e vai-se formando nos diversos planos da natureza, dos mais sutis aos mais grosseiros.

A Sabedoria Iniciática das Idades, possui o OM, o som sagrado.

O insigne Professor Henrique José de Souza, fundador da Sociedade Brasileira de Eubiose, disse a respeito da palavra sagrada OM, o seguinte:

“… para não nos estendermos muito sobre um assunto que nos levaria muito longe, o que de maneira alguma corresponderia nossa intenção presente, lembraremos apenas que segundo a tradição hindu, os universos são produzidos pelo OM, a palavra sagrada formada de três letras sânscritas: ah, oh e ma ou aum, e que, segundo o Mundakya Upanishad, é o nome mais precioso do Espírito Eterno, Onipresente e Universal.”

De modo que tudo que existe no universo advém das vibrações sonoras produzidas por este som sagrado. Então todos nós perguntaremos, “Se tudo vem do som sagrado OM ao pronunciá-lo, estaríamos criando coisas? ”É aqui que surge diante de todos nós uma das chaves principais do Processo Iniciático: a ciência dos sons. Para entendê-la, cada um de nós terá de dominá-la por meio de um árduo trabalho interno de iniciação, onde adquiriremos o poder de pronunciar corretamente o som, de tal forma que ele possa criar algo.

Para chegar ao resultado final no mundo da forma, a Consciência Divina potencializa-se em 7 tons fundamentais: Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si. Estes 7 tons fundamentais, se diversificam de tal forma, que o resultado final é a natureza que nos cerca. Para melhor compreendermos o mecanismo em que o verbo, o som se faz carne, vamos tocar num ponto importantíssimo. Este ponto importantíssimo nos fala a respeito de Mantrans. De todos os caminhos evolucionais, o caminho dos que usam o poder dos Mantrans é inegavelmente superior a todos os outros. Os Mantrans quando corretamente pronunciados, se tornam um meio poderoso de despertar todas as possibilidades ocultas relativas a todos os planos do universo, que encobrem o nosso princípio espiritual, o poder dos Mantrans é capaz de fazer vibrar e pôr em atividade as matérias de diferentes planos existentes no universo, produzindo fenômenos de várias ordens. De modo que um Mantram não deve ser tocado ou cantado unicamente. Um Mantram precisa ser acompanhado também por um pensamento, de acordo com a combinação de sons produzida. Um Mantram precisa ser vivido.

Portanto, o universo foi concebido pelo som, que sintetizando a Matéria e a Energia Cósmica, onipenetradas por Atmã (centelha divina onipresente em tudo e em todos) produziu o mundo da forma, dos nomes e dos seres viventes.

Sabemos ainda que aquilo que conhecemos como Matéria ou Akasha se caracteriza por ser capaz de produzir som. Daí ser também o Akasha chamado de “Raiz psíquica do som”. Akasha, é portanto, a matéria que constitui todos os planos da manifestação.

Quando um ser se materializa, nasce no mundo, ele se torna um personagem de seu próprio drama na face da terra. Isto quer dizer que, sendo um personagem, manifesta-se por meio do som.

A constituição setenária da Consciência Divina, centro de irradiação de Consciências e Energias, é a chave para a compreensão das doutrinas místicas de todos os povos. Essa constituição setenária nada mais é que as Sete Forças Auto-Evolventes da Força Única e Sem Causa. Cada uma dessas Sete Forças, Sete Energias, é a expressão dinâmica de determinada Consciência Cósmica. Vamos verificar de perto a quarta energia, analisá-la e compreender-lhe a influência específica no metabolismo da evolução universal, dentro da Tradição Sagrada do Som.

Tem essa quarta energia, o nome de Mantrikashakti. É ela a força mística do som ou verbo, expressa a harmonia cósmica e, portanto, em sentido lato, inclui tudo que diz respeito ao aspecto beleza ou arte. O caminho ligado a Linha das Artes, representa, possivelmente, para o homem deste planeta, o caminho mais simples para a libertação. É importante assinalar que mais de um grande iluminado, membros da excelsa Fraternidade Branca, alcançaram as culminâncias da espiritualidade pelo caminho das artes. Citaremos apenas três desses membros no Ocidente, no aspecto musical: Beethoven, Wagner, Bach.

Portanto como todos nós verificamos, o verbo, o som, considerados por todas as tradições antigas, como a causa eficiente e material da manifestação do mundo é a suprema forma pela qual se objetiva o Ser Infinito. Esse verbo se manifesta como Ritmo, Melodia e Harmonia. Para cada manifestação do verbo, existe uma ciência. Apoiando-nos nas ciências do Ritmo e da Melodia, penetramos nos mundos da Harmonia que abre para todos nós as portas do entendimento espiritual. É lícito dizer que essas três manifestações da força ou poder místico dos sons se relacionam com os três centros de atividade em nosso interior, o Físico, o Anímico e o Espiritual. O Ritmo está ligado s formas físicas, a Melodia alma e a Harmonia ao espírito. O som, o verbo, ou a música perfeita será, portanto, a que equilibrar esses três elementos da suprema manifestação do verbo.

Os iniciados utilizando a ciência dos sons, profunda e oculta por excelência, são capazes de realizações, já que esse conhecimento lhes permite equilibrar os três princípios fundamentais do verbo em ação, segundo os fins em vista. Do mesmo modo, se for o caso, pode um iniciado utilizar a ciência dos sons para produzir a predominância de um princípio sobre os outros, fazendo com que a ação incida num determinado plano da natureza.

Acentuemos que os Mantrans se baseiam no perfeito entendimento dessa ciência, que, pertence há milênios s Escolas Iniciáticas e Secretas.

Nas primeiras etapas da evolução humana nas Raças primitivas, o Ritmo era considerado o princípio básico de toda a adoração religiosa ou sacrificial. Daí a criação dos bailados que visavam perpetuar o conhecimento de certas leis ocultas, relacionadas com as invocações s Potestades ou Deuses da natureza. Assim, por exemplo, na Índia, os Gandharvas, que eram cantores ou músicos celestes, eram interpretados pelas Apsaras, bailadeiras que, por meio de posições ou atitudes do corpo, procuravam exteriorizar as regras da ciência do ritmo, permitindo assim, entoar os hinos no seu verdadeiro ritmo. Mais tarde, dança exclusivamente rítmica se acrescentou uma expressão de doçura, graças a certos gestos, especialmente das mãos, que ensinavam a melodia dos cânticos evocadores das Potestades adoradas. Só em épocas mais próximas, quase históricas, apareceram danças sagradas completas, em que os passos e gestos criavam uma Harmonia maravilhosa, característica do mais profundo processo oculto e iniciático.

Sabemos que a arte dos cânticos e a poética, fundidas numa só, são consideradas a manifestação mais perfeita do Verbo Criador. O antigo vate, o inspirado cantor da história dos Deuses e das epopéias dos heróis, descrevia, em poemas rítmicos e melódicos, as façanhas que pretendiam exaltar e perpetuar. Em verdade, os poetas de antanho aprendiam, nos santuários iniciáticos, a arte suprema de vazar, em linguagem humana, os feitos gloriosos dos Seres que tinham criado o Universo, ou dos que guiavam e protegiam os homens. Entre os Celtas, o bardo, cantor iniciado, era o arquivo vivo dos fatos de sua raça. Entre os povos de descendência solar, os Suryavanxas, que ainda habitam os vales férteis do Pundjab, na Índia, conservam, até hoje, na corte de seus Takures (príncipes reinantes, senhores feudais), poetas e místicos maneira de seus avoengos, tradição preciosa que defenderam encarniçadamente contra o poder dos invasores brancos. São eles, os Suryavanxas, que tem por lema o famoso dístico: “A luz pura do Sol pode ser maculada pela lama da Terra.”

A insigne Helena Petrovna Blavatsky em sua celebrada obra “Por Grutas e Selvas do Indostão” fez referência a essa gente, que, pelo conhecimento da música e dos Mantrans, e pelo amor a Poética, conseguiu perpetuar, através das vicissitudes de uma história atribulada, uma ciência não inscrita nos livros, e transmissível, apenas, pela voz de seus poetas-cantores. Para todos os povos antigos, o poeta era o eleito e o inspirado dos Deuses. O próprio nome latino, Vate, indica as qualidades proféticas desses cantores, que chegavam, s vezes, a penetrar em arcanos transcendentes, inacessíveis ciência comum dos homens. É interessante lembrar, a respeito, a história de Ovídio, que o Colégio Sacerdotal de Roma exilou para o Ponto Euxino, em virtude de ter divulgado, ao impulso da inspiração, segredos iniciáticos que, aliás, desconhecia. E somente esta última circunstância salvou-o da morte. O caso serve para provar que o poeta pode, pela arte sublime da palavra, despertar em sua consciência interior, conhecimentos de ordem secreta e mística, o que explica a palavra Vate (adivinho). Em tempos mais chegados, temos outro exemplo, bastante típico, o de Sir Edwin Arnold, o cantor da “Luz de Ásia”. Arrebatado pela inspiração, a história do Grande Emancipado, de Buda, é aí narrada com tal profundidade, que segredos conhecidos, apenas dos Iluminados, são postos a nu. E Arnold não era ocultista. Compreende-se agora, a prudência de Platão, que na sua “República”, aconselha coroar os poetas e, depois, expulsá-los. A poética constitui, portanto, a mais pura manifestação da Palavra Divina, sobretudo transmitida em canto.

É bem possível que os iniciados gregos tenham obtido seu conhecimento a respeito dos aspectos filosófico e terapêutico da música, dos egípcios, os quais, por sua vez, consideravam Hermés o fundador da arte. Segundo a lenda, este deus construiu a primeira lira esticando cordas através da concavidade de uma casca de tartaruga. Ambos, Ísis e Osíris, eram como patronos da música e da poesia. Platão, descrevendo a antigüidade dessas artes entre os egípcios, declarou que as canções e poesias tinham existido no Egito, pelo menos, por dez mil anos e que eram de uma natureza tão elevada e inspiradora que apenas deuses ou homens-deuses poderiam tê-las composto. Nos mistérios, a lira era tida como o símbolo secreto da constituição humana, o corpo do instrumento representando a forma física, as cordas, os nervos, e o músico, o espírito. Tocando sobre os nervos, o espírito assim criava as harmonias de um funcionamento normal o qual, todavia, se tornava dissonante se a natureza do homem estivesse corrompida.

A ordem medieval dos Troubadours ou Trovadores teve, como os vates e os bardos, o papel de espalhar, por meio de seus cantos amorosos e satíricos, muitas verdades iniciáticas, segundo as ordens recebidas dos grandes Adeptos que os dirigiam. Eram, por assim dizer, os correios entre os iniciados de todo o mundo e as Ordens Secretas.

Finalizando esta primeira parte de “Música no Processo Evolucional”, em que abordamos a “Tradição Sagrada do Som”, diremos que mister se faz que tenhamos uma perene consciência de que no universo tudo é som, tudo é verbo que se fez carne, e que andamos sobre a face da terra em busca da harmonia, tanto conosco, internamente, quanto com nossos Irmãos em humanidade. Não se trata de harmonia baseada em entendimento de egos, mas da verdadeira harmonia das esferas que existe nos recônditos do universo. Lá está Ela, disponível a todos que realizarem na sua mente e no seu coração, os mistérios do Som e do Verbo.

Carlos Eduardo Silva Coimbra

Fonte: http://www.vidhya-virtual.com/vidhya1/inicio.htm
http://www.cosmomusica.com.br

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